A criação de conteúdo para canais cruzados pode integrar anúncios, aplicativos para dispositivos móveis, informativos, conteúdo institucional. O processo leva em conta as ações sistemáticas de publicação sobre o mesmo assunto, e também como o conteúdo se ajusta à linguagem e às circunstâncias de acesso de cada um.

Como as pessoas acessam cada canal, como manipulam os dispositivos, em que situações combinam o acesso a diversos canais, o que fazem enquanto os utilizam? Estão sentadas em um café enquanto esperam um filme começar, folheiam uma história antes do filho dormir, ou procuram informações urgentes sobre como chegar a um lugar? Como é feito o dimensionamento das informações, para levar em conta o momento, o local e as condições de uso? E seu planejamento, para que estabeleçam relacionamentos? Projetistas e, em especial, editores de mídias digitais, testam seus produtos em diferentes circunstâncias, para atender a diferentes demandas.

A produção de conteúdo entre canais contempla não só o modo como os canais são disponibilizados para o público (formato, layout, funcionalidades de programas e dispositivos), como também como as informações são encadeadas em diferentes contextos de uso. O conhecimento das necessidades dos usuários faz parte da estratégia de projeto, dos processos editoriais, do aperfeiçoamento e da evolução de cada canal.

Diferentes objetivos, diferentes perspectivas

O planejamento e a produção de conteúdo para produtos informativos, comerciais, culturais, atendem a diferentes objetivos e são por isto concebidos de maneiras diferentes.

Um informativo atende a um público que consome conteúdo sempre renovado, com tratamento e temporalidade que respondem ao imediatismo e à objetividade do cotidiano. A edição segmentada tira partido das características de cada canal: produz pequenos textos para sites móveis e grandes infográficos nos sites web e mídias impressas.

Já um ambiente participativo facilita a comunicação entre pessoas; o compartilhamento e a publicação de conteúdo são feitos pelo público. A edição neste caso é estrutural, composta de modos de disponibilizar o conteúdo, de modo que os criadores e pessoas de seu relacionamento entendam uns aos outros.

O projeto de um universo que gira em torno de uma história, como o de Harry Potter, ou Matrix, reforça as características dos personagens e das histórias, provê enredos paralelos e complementares, respostas para perguntas em suspense, espaço para a troca de impressões.

Um aplicativo online permite que os usuários se coloquem no lugar do herói do filme O Urso, Paul Bearman. Pode-se escolher entre vários cenários e atuar como diretor para reeditar a história

Um aplicativo online permite que os usuários se coloquem no lugar do herói do filme O Urso, Paul Bearman. Pode-se escolher entre vários cenários e atuar como diretor para reeditar a história

Além dos objetivos, os projetos de canais cruzados se diferenciam a partir do público de cada um e da maneira como este público dialoga com os canais e seu conteúdo. Quem são os participantes? Que ações realizam? O que oferecem e recebem em troca? Como transitam entre os canais?

A interlocução com o público e entre as pessoas do público define os limites dos contextos, universos de conexão. Por sua vez sofrem a influência destes universos, contextos, que influenciam.

Desenvolvemos aqui a criação de conteúdo entre canais cruzados sob duas perspectivas: pragmática e participativa. São justificadas por diferentes objetivos comerciais, modos de relacionamento com os usuários, expectativas, que permeiam a configuração das suas características, bem como da escolha de soluções técnicas e funcionais relacionadas. (Atualizado em 24.8.2014)

 

Referências

Cross-channel, cross-media, multi-channel: Where’s the difference, Andrea Resmini and Luca Rosati (Pervasive Information Architecture, acesso em 11.3.2012)